Oficina de Validação do Cidadania Jovem tem resultados positivos

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O Ipads realizou em Campinas, no dia 22 de março de 2019, a 1ª Oficina de Validação e Aprendizagens do Cidadania Jovem, que tem como objetivo contribuir para a formação integral de adolescentes em situação de vulnerabilidade social. À equipe de trabalho juntaram-se representantes da empresa Bayer, parceira do projeto, e do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde, o Conasems, que apoia a iniciativa. Também participaram, como convidados especiais, especialistas de várias  áreas do conhecimento.

O Cidadania Jovem  será realizado em 2019 em cinco municípios das diferentes regiões brasileiras, onde serão capacitados monitores que vão conduzir oficinas com os adolescentes. Para o pedagogo Hélio Braga da Silveira Filho, que há mais de 20 anos trabalha com arte-educação,  a importância do Cidadania Jovem pode ser avaliada a partir de palavras contidas no  projeto, que traduzem o que se pretende levar aos adolescentes: experiências de observação, investigação, diálogo e sensibilização a respeito de valores que fundamentem um possível projeto de vida.

Para ele, a arte, que define como “a capacidade humana de estar atento à vida”, é de fundamental importância para construir a aproximação com o jovem e, em diferentes linguagens, provocar experiências importantes como as de  expressão, interpretação, imaginação e criação, como formas de ampliar a visão de mundo e viabilizar sonhos.

As responsáveis pelo Núcleo Pedagógico do Cidadania Jovem, Maria Helena Dias e Maria Helena de Sá apresentaram os detalhes do projeto, onde a  promoção de saúde é entendida não apenas como prevenção, mas como qualidade de vida, o que envolve o bem estar físico, mental, psicológico e emocional, e os relacionamentos sociais, como família e amigos.

O público-alvo do projeto recebe um olhar cuidadoso. “Não é o adolescente que temos em casa, mas o adolescente que está lá, naquela cidade. É outra adolescência”, disse Maria Helena Dias, referindo-se às diferentes realidades dos jovens aos quais a iniciativa está voltada. Por fim, falou da questão da vulnerabilidade, que é a exposição do adolescente às carências causadas pela ausência do Estado em áreas como saúde, segurança e educação.

Maria Helena de Sá lembrou que o Núcleo Pedagógico capacitará monitores para as oficinas de arte e movimento; práticas esportivas; história, memória e identidade, e protagonismo e ação comunitária, sempre a partir de temas de domínio dos adolescentes, como a família, a rua, o bairro, a cidade, o estado e o país.

Avaliações

Os convidados destacaram os pontos positivos da estrutura do projeto e fizeram algumas sugestões. Entre elas, o bom treinamento dos monitores como estratégia central, a articulação entre as oficinas, a documentação das atividades como ferramenta de avaliação dos monitores e a integração dos adolescentes dos cinco municípios.

Na discussão sobre o que se espera de aproveitamento  dos jovens, já que a adolescência envolve variados tipos de comportamento, a professora de pediatria da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, Lilia Li, disse que tem certa resistência em dizer qual o percentual de jovens vai melhorar ou o quanto cada um vai crescer: “Acho que todo mundo tem de melhorar, até porque, o comportamento destrutivo do adolescente é um pedido de socorro, revela que ele precisa de acolhimento”.

“Os adolescentes gostam de desafios, são meninos potentes, inteligentes, que podem  mudar a sociedade. O desafio é mais escutar do que levar coisas prontas”, observou a psicóloga e pesquisadora do Núcleo de Estudos de Políticas Públicas (NEPP/Unicamp) , Valéria Cantelli.

A educadora e doutora em Saúde Pública, Ausonia Donato, revelou acreditar no projeto porque reconhece o potencial dos adolescentes, e que só o fato de estabelecerem uma relação de confiança com a equipe do projeto já vai ajudá-los a sair da condição em que se encontram. “Muitos desses jovens,  os preteridos,  tornam-se ainda mais vulneráveis porque não tem em quem confiar”, ressaltou.

Metodologia para o SUS

Coordenadora do projeto, a médica sanitarista e consultora do Ipads, Carmem Lavras, finalizou o encontro bastante otimista: “Tem muita coisa para acontecer nesse projeto. É um projeto grande, audacioso, que a gente vai levar para cinco locais, querendo extrair um eco que depois possa ser replicado, com documentos que possam ser mandados para o SUS em todos os municípios. A coisa é grande, não é pequena não. Mas eu saio daqui mais animada do que quando entrei.”

“É um projeto grandioso, ambicioso, porque a gente quer chegar e alterar a realidade dos adolescentes. Mas tem muita gente boa envolvida, então eu tenho convicção de que vamos desenhar uma metodologia importante para implantar esse projeto em grande parte do país. A Bayer tem um grande interesse em continuar investindo, em se manter engajada em ações como esta”, afirmou a gerente de acesso estratégico da Bayer, Tássia Ginciene.

O assessor técnico do Conasems, Elton Rocha, destacou a importância do Cidadania Jovem para o fortalecimento da Atenção Básica no SUS .“Por mais que os municípios desenvolvam suas ações, suas atividades, ainda há muitas estratégias, muitos resultados que não são satisfatórios quando se trata do público adolescente”, afirmou, citando uma série de fatores, desde mudanças sociais e inovações tecnológicas até a inversão da pirâmide etária, onde a população de idosos ocupa cada vez mais espaço.

Por representar os 5.570 municípios brasileiros, o Conasems busca criar políticas universalizantes, que possam ser aplicadas em todo o território nacional. “O importante é que com esse projeto nós teremos  instrumento e método para disponibilizar e dar a oportunidade para outras regiões replicarem de diversas formas. Os resultados não serão iguais em todas as regiões, mas já teremos o percurso metodológico a seguir. O projeto tem seus objetivos bem delineados. Cidadania Jovem é um nome forte, tem potência!”, concluiu.

 

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